Com você.
Eu estava com um zumbido nos ouvidos.
-NÃO.
—Sim, Efraín.
-NÃO.
—Você é esse filho.
Tudo dentro de mim se despedaçou.
Eu ri, mas não de alegria: de horror.
—Você está doente.
"Não te reconheci de imediato", exclamou ela, como se tentasse me pegar de surpresa antes que eu explodisse. "Quando te conheci em casa, vi apenas um jovem bom, inteligente e nobre... e me aproximei. Depois, comecei a reparar em datas, histórias, gestos. Contratei alguém para investigar. Oito meses atrás, descobri a verdade."
Olhei para ela como se olha para alguém que acabou de incendiar a sua vida.
—Oito meses atrás? E você ainda casou comigo?
Celia baixou a cabeça.
—Tentei te afastar.
—Não é suficiente!
"Não", admitiu ele, com a voz embargada. "Não é suficiente."
Eu a odiei por dizer isso tão francamente, porque tirou o conforto de simplesmente chamá-la de monstro.
—E os guarda-costas?
—São para Octavio. Ele ainda está vivo. E se ele descobrir quem você é, poderá usá-la.
Essa frase me atingiu em cheio.
Ele não só me fez apaixonar, como, sem dizer uma palavra, me lançou no coração de uma guerra que eu esperava há vinte anos.
"E minha mãe?", perguntei, com a garganta apertada. "A mulher que me criou?"
Celia respirou fundo.
—Ela sabia disso.
Essa resposta me deixou sem chão.
-NÃO.
—Sim. O nome dela é Rosaura. Confiei sua vida a ela bem cedinho numa manhã. Ela era a única pessoa boa perto de mim naquele momento. Ela te criou para te salvar.
Eu não aguentava mais.
Peguei meu casaco, deixei minhas chaves, o envelope, deixei tudo. Saí daquele quarto como se as paredes me rejeitassem. Caminhei por horas até me encontrar sentado em um posto de gasolina à beira da estrada, ainda de terno e gravata, observando os caminhões passarem e me perguntando quantas vezes um homem poderia invadir minha casa em uma única noite.
Cheguei em casa ao amanhecer.
Minha mãe estava no quintal dando milho para as galinhas. Quando ela me viu entrar com a gravata frouxa, o rosto desgrenhado e os olhos faiscando, deixou cair a lata que estava segurando.
—Efrain…
"Diga-me a verdade", exclamei.
Meu pai saiu da cozinha e, quando nos viu, entendeu tudo sem precisar de palavras.
Minha mãe empalideceu. Levou a mão ao peito. E com uma voz que eu não reconheci, disse:
—Se Celia já falou… então prepare-se, porque você ainda não ouviu o pior.